Conexões históricas com o Êxodo

A história do Êxodo é certamente a narrativa mais importante do Antigo Testamento. A leitura deste livro gera um fascínio incrível que desperta o interesse de estudiosos profissionais e leigos em todo o mundo. Entretanto, sua história está envolta de mistérios e muitos tentam desacreditar os relatos deste livro por não enxergarem evidências suficientes dos eventos ali narrados.

 

Porém, com as recentes descobertas sobre o Egito Antigo já podemos fazer conexões mais próximas entre os relatos bíblicos e a história secular. Nos parágrafos a seguir descreverei de forma resumida o paralelo entre os faraós e a narrativa do Antigo Testamento.

 

A ERA DA PROTEÇÃO DE ISRAEL

O ponto de ligação entre os livros de Gênesis e Êxodo é a história de José, filho de Jacó. Após ser vendido como escravo pelos próprios irmãos José chega ao Egito. Devido, a sua fantástica habilidade como administrador e pelo dom divino de interpretar sonhos José acaba tornando-se vizir, espécie de primeiro ministro do Antigo Egito, e com suas habilidades ele transforma o reino do desacreditado faraó Amenemés III (1860-1814 a.C) em um dos mais poderosos do Médio Império egípcio. O reinado do faraó Amenemés III durou mais de quatro décadas e sempre teve o auxílio do seu fiel ministro, José.

 

A Bíblia relata que José levou sua família para morar no Egito e o faraó deu a fértil região de Gósen, no delta do rio Nilo, para que os israelitas pudessem habitar. 

 

Um dos feitos de José foi comprar as terras dos povos circunvizinhos ao Egito para o faraó e dessa forma todas as nações ao redor estavam subjulgadas pelo poder faraônico, expandindo a influência egípcia de uma forma nunca antes experimentada. Dentre estes povos estavam cananitas, filisteus, hititas, maatitas, entre outros. Entretanto, um povo semita, em especial, no futuro viria a ser um tormento aos egípcios, estes eram os hicsos.

 

Os hicsos eram uma mescla de povos pastoris que tinham a mesma linhagem semítica. Este povo pouco a pouco passou a participar na vida social do Egito, inclusive de alguns acordos comerciais que tinham sido estabelecidos entre os dois povos. Entretanto, percebendo que a prosperidade do Egito estava no rio Nilo, os hicsos resolvem se unir para derrotar o faraó e conquistar toda a extensão do rio. Mesmo a infantaria egípcia sendo muito bem preparada não foram páreos para a tecnologia dos hiscos, as carruagens a cavalo.

 

Depois de muitas batalhas, em 1785 a.C, os hicsos vencem e elegem Salatis como seu novo rei. Os hicsos aniquilaram totalmente o poder egípcio, reduzindo a influência do faraó a pequenas regiões (além de obrigarem a pagar impostos ao novo reinado), e estes demoraram aproximadamente duzentos anos para poder voltar a reinar novamente o Alto e Baixo Egito.

 

 

A ERA DA PERSEGUIÇÃO DE ISRAEL

Foi apenas com Amósis I (1580-1558 a.C) que finalmente o Egito reconquista seu território e expulsa os hicsos. Com Amósis inicia a 18ª disnatia faraônica e o período denominado de Novo Império, mas também uma fase complicada para o povo de Israel. O faraó Amósis não queria saber da história de José, possivelmente por causa da rebelião dos hicsos este faraó vai começar uma era de xenofobia (aversão a povos estrangeiros). Por causa do ódio aos outros povos Amósis criará uma preocupação infundada com os hebreus, visto que a história não relata que os israelitas tenham se envolvido nas batalhas militares entre hicsos e egípcios. Amósis, então, instituirá o trabalho escravo a ser realizado pelos hebreus. Esta mesma estratégia foi mantida pelo seu filho Amenófis I (1558-1538 a.C).

 

Porém, foi no reinado do Faraó Tutmés I (1538-1510 a.C), cunhado de Amenófis I, que a situação dos hebreus vai se tornar insuportável. Este possivelmente foi o faraó que ordenou que as parteiras matassem os meninos hebreus no rio. 

 

A Bíblia relata que uma família da tribo de Levi resolveu elaborar um plano para salvar seu bebê recém-nascido. Uma mulher chamada Joquebede e sua filha mais velha, Miriã, resolvem colocar aquele menino em uma cesta de juncos e acredito que propositalmente próximo de onde a filha de Tutmés I costumava banhar-se. O interessante desse relato é que os egípcios eram bastante religiosos e tinham uma ligação espiritual com o Rio Nilo, por isso a chegada daquela criança foi interpretada pela filha de faraó como uma dádiva do Nilo. Essa criança foi denominada de Moisés e nasceu no ano de 1526 a.C.

 

Tutmés I destacou-se militarmente e foi o primeiro faraó a ser enterrado no Vale dos Reis. Tutmés I não teve filhos homens com a rainha egípcia Aahmes, por isso um filho com uma esposa secundária é que chegou ao trono, seu nome é Tutmés II (1510-1507 a.C). No entanto, Tutmés I teve com a rainha Aahmes uma filha muita querida e influente, chamada de Hatsepshut.

 

Como Tutmés II não possuia a mesma firmeza do pai, a princesa Hatsepshut foi escolhida para ser sua esposa dando mais importância ao seu reinado. Oficialmente Tutmés II era faraó, porém o prestígio do governo era por causa da inteligência administrativa de Hatsepshut. 

 

Tutmés II provavelmente temia que seu filho, Tutmés III, perdesse o trono para o filho de Hatsepshut, Moisés (pois a influência de Hatsepshut era muito maior do que a dele próprio como faraó). Por isso, antes de morrer ele declara Tutmés III como faraó, mesmo este ainda sendo uma criança. Tutmés II, reinou apenas 3 anos.

 

Hatsepshut (1507-1485 a.C.) era querida por seu pai e pela corte por ser uma mulher firme e inteligente. Oficialmente o trono era de Tutmés III, que fora instituído ainda por seu pai mesmo este ainda sendo criança. Porém, na prática Hatsepshut era reconhecida como a rainha-faraó e o foi até sua morte, seu poder faraônico era tido como divino e foi relatado pelos sacerdotes de Amon-Rá.

 

Ela possuia duas filhas, porém Moisés era seu único filho homem. Como filho do coração de Hatsepshut, provavelmente Moisés foi criado com até mais prestígio do que Tutmés III. Provavelmente Moisés era de 15 a 20 anos mais velho do que Tutmés III. Por isso, é razoável crer que Tutmés III tinha medo de que Moisés se revoltasse e quisesse assumir o trono egípcio. No entanto, uma conspiração sacerdotal, nos últimos anos de vida da faraó Hatsepshut, fez com que Tutmés III fosse corregente do Egito (deixando na prática a nação com dois faraós).

 

 

A ERA DA SALVAÇÃO DE ISRAEL

Baseado no capítulo 11 da epístola de Hebreus acreditamos que pouco tempo antes da morte de Hatsepshut, Moisés deve ter sofrido com uma crise de identidade, porém decide ficar do lado do Deus de seu povo. Dessa forma, em 1486 a.C Moisés mata o egípcio e se refugia em Midiã, no atual deserto da Arábia, para fugir da fúria de Tutmés III. Pouco tempo depois Hatsepshut morre por uma doença auto-imune.

 

Após anos almejando o trono Tutmés III (1485-1450 a.C. - como regente único) torna-se o faraó do Egito. Ele não era filho de Hatsepshut com Tutmés II. Tutmés II tinha uma outra esposa que não era da nobreza egípcia, esta que deu a luz a Tutmés III.

 

Sua tragetória como rei expansionista foi muito bem sucedida. Foi muito vitorioso em várias campanhas militares domaninando as regiões de Canaã, Creta, Chipre, Mitani, Hatti (reino dos hititas), Núbia e Ludão. Porém, nesse tempo Moisés estava habitando em Midiã, fora dos limites do Egito.

 

Foi em Midiã que Moisés é chamado pelo "EU SOU" para libertar Israel da servidão egípcia. Após o chamado de Moisés, Deus revela que Tutmés III tinha falecido. Quem estava reinando era seu filho, Amenófis II (1450-1419 a.C). Além do trono, Aménofis II, herdou também o espírito cruel e opressor de seu pai. Nesse período os escravos hebreus estavam trabalhando em jornadas exasustivas e penosas. 

 

Moisés, agora com seus 80 anos, enfrenta a tirania do jovem e impetuoso Amenófis II durante os primeiros 4 anos de seu reinado. Certamente o faraó queria consolidar o seu poder no Egito e liberar facilmente os hebreus representaria um perca de prestígio muito forte.

 

Baseado na cronologia bíblica certamente Amenófis II foi o faraó do Êxodo. Muitos pontos corroboram para esta afirmativa. Primeiro seu reinado de 31 anos encaixa-se perfeitamente no ano de 1446 a.C, o ano do Êxodo. Outro ponto é que seu sucessor não foi seu filho mais velho, mas Tutmés IV (1419-1413 a.C.), por causa da morte dos primogênitos do Egito, a décima praga. A “Estela do Sonho” – fala de uma visão de Tutmés IV, em que um deus lhe revelara que herdaria o trono apesar de não ser o primogênito de Amenófis II. Podemos apontar também o fato da região de Canaã estar em seu poder facilitou que a informação das pragas e da derrota do exército egípcio se propagasse mais rápido.

 

O ano de 1446 a.C representa uma data ímpar para o entendimento do contexto do livro de Êxodo, pois esta é a data da libertação de Israel, mas também nos ajuda a entender o contexto de vida de Moisés e como a fé que aprendera na infância o ajudara a liderar o povo de Deus.

 

 

BRUNO LEONARDO

Professor e líder de Jovens da Igreja Batista Manancial

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